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CINCO ANOS DE PREP NO BRASIL

Atualizado: 5 de abr. de 2023


Harry Sardinha - Técnico em vigilância em saúde, Responsável pelo projeto de reestruturação do CTA - Belém no Ministério da Saúde, Integrante da equipe técnica responsável pela implementação da PrEP em Belém e vencedor do Prêmio da Sociedade Brasileira de Hepatalogia.


O que é PrEP?


Ela consiste na tomada de comprimidos diariamente, que permitem ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.


Em 2022, a Profilaxia Pré-exposição ao HIV completou 5 anos de implementação no Sistema único de Saúde. Não foi uma discussão fácil e rápida, no início dos debates havia alguns posicionamentos contrário à sua efetivação, mesmo ela se mostrando eficaz em vários países ao redor do mundo. O tema educação sexual ainda faz com que algumas pessoas torçam o nariz, mas na contramão desses pensamentos retrógrados estudos nos apontam um horizonte onde a informação e o conhecimentos são nossos melhores métodos de prevenção.


O Sistema Único de Saúde entende que a pessoa que procure pelo serviço deve ser estimulado a participar de todas as decisões sobre seus cuidados, tendo a garantia de que a equipe que o assiste fornecerá informações e esclarecimentos acerca de dúvidas, resultados do cuidado e do tratamento, bem como resultados não previstos. A partir disto, às políticas publicas de saúde serão desenvolvidas a fim de investigar as variáveis sociais por trás da origem das doenças. Dessa maneira, torna-se possível construir um planejamento de forma mais consistente, assim como organizar a assistência prestada pelos serviços de saúde. Um exemplo é a política da Prevenção Combinada que é uma estratégia que faz uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção (biomédica, comportamental e estrutural) aplicadas em múltiplos níveis (individual, nas parcerias/relacionamentos, comunitário, social) para responder a necessidades específicas de determinados segmentos populacionais e de determinadas formas de transmissão do HIV.



As intervenções biomédicas


São ações voltadas à redução do risco de exposição, mediante intervenção na interação entre o HIV e a pessoa passível de infecção. Essas estratégias podem ser divididas em dois grupos: intervenções biomédicas clássica


s, que empregam métodos de barreira física ao vírus, já largamente utilizados no Brasil; e intervenções biomédicas baseadas no uso de antirretrovirais (ARV). Como exemplo do primeiro grupo, tem-se a distribuição de preservativos masculinos e femininos e de gel lubrificante. Os exemplos do segundo grupo incluem o Tratamento para Todas as Pessoas – TTP; a Profilaxia Pós-Exposição – PEP; e a Profilaxia Pré-Exposição – PrEP.


As intervenções comportamentais


São ações que contribuem para o aumento da informação e da percepção do risco de exposição ao HIV e para sua consequente redução, mediante incentivos a mudanças de comportamento da pessoa e da comunidade ou grupo social em que ela está inserida. Como exemplos, podem ser citados: incentivo ao uso de preservativos masculinos e femininos; aconselhamento sobre HIV/aids e outras IST; incentivo à testagem; adesão às intervenções biomédicas; vinculação e retenção nos serviços de saúde; redução de danos para as pessoas que usam álcool e outras drogas; e estratégias de comunicação e educação entre pares.


As intervenções estruturais


São ações voltadas aos fatores e condições s


ocioculturais que influenciam diretamente a vulnerabilidade de indivíduos ou grupos sociais específicos ao HIV, envolvendo preconceito, estigma, discriminação ou qualquer outra forma de alienação dos direitos e garantias fundamentais à dignidade humana. Podemos enumerar como exemplos: ações de enfrenta


mento ao racismo, sexismo, LGBTfobia e demais preconceitos; promoção e defesa dos direitos humanos; campanhas educativas e de conscientização.

Mandala da Prevenção Combinada (fonte: Ministério da Saúde)


Apenas no final de 2017 que a vitória veio, a Conitec, comissão do Ministério da Saúde que avalia a incorporação de novas tecnologias autorizou a implementação da PrEP no sistema público de saúde. Incialmente apenas 12 estados ofertavam a prep e apenas no segundo semestre de 2018 os demais estados implementaram a profilaxia em seus serviços de saúde pública. Com uma baixa adesão nos primeiros meses, os movimentos sociais desempenharam um papel fundamental nas campanhas para apresentar o profilaxia para a população chave que o programa precisava atingir. Pouco a pouco os usuários foram conhecendo e entendendo como funciona o tratamento e com isto a difusão foi ganhando corpo naquela população. Em junho de 2021, com o objetivo de expandir ainda mais as possibilidades de atendimento e acompanhamento em PrEP, além de ampliar o acesso de novos usuários à profilaxia, o Ministério da Saúde lançou o Projeto “PrEP na Saúde Suplementar”, Foi autorizada, então, a prescrição de PrEP nos serviços de saúde privados.


Como tomar?


PrEP consiste na tomada diária dos comprimidos, de forma contínua, indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade ao HIV.


E a eficácia?


De acordo com os infectologistas, o uso diário da PrEP pode gerar uma proteção de até 99% contra o HIV no sexo anal. No sexo vaginal, a eficácia do medicamento é de cerca de 90%. Já no esquema sob demanda, a eficácia é de até 97%.


A PrEP exclui a camisinha?


Não. A PrEP faz parte da prevenção combinada. As medidas não se excluem, mas se completam. Lembrando que o indivíduo é quem decide quais o qual o seu melhor método de prevenção.


Onde encontrar PrEP na minha cidade?


Procure a secretaria de saúde de seu município para mais informações.


Eu posso fazer uso da PrEP?


A PrEP é indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade para o HIV. Relatório Após os primeiros anos do programa, dados do Relatório de Monitoramento Clínico de PrEP do Ministério da Saúde reforça a eficácia e a importância dessa profilaxia, além de incentivar o país a ampliar ainda mais o acesso a essa opção de prevenção.


IMPORTATE:


Vale ressaltar que a PrEP é uma estratégia adicional de prevenção e não precisa, necessariamente, ser usada até o final da vida de maneira initerrupida.




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